Conheça o CD
Eu, Brasileiro

É com orgulho e um certo constrangimento que comento o disco Eu, Brasileiro, de Luís Perequê. Orgulho, pois se trata de um dos grandes compositores, intérpretes e violeiros do Brasil.

Constrangimento porque nunca havia ouvido falar dele, até ser apresentado por um bom amigo, apaixonado por música popular, que andou lá pelas bandas de Paraty.

Julinho Bittencourt, jornalista, músico e crítico de MPB.
Crítica disponibilizada para ser publicada no blog Jornalistinha.

 


Aves e Ervas PDF Imprimir E-mail
Dom, 08 de Janeiro de 2012 19:00
Madrugada se levanta, canta galo, tudo canta...
Beira de mar, Mata Atlântica!
Suave canção de aves, cheiro de erva pisada,
Trilha, trabalho, renda de orvalho,
Tramam tratores, novas estradas.
É a mentira do progresso mudando o rumo dos versos
Casa de aves e ervas, virando areia e deserto
Matas mortas, morros calvos e os corvos cuidam do resto
O povo vence o grileiro, mas não vence os projetos
Da mentira dos políticos mascarados, desonestos.
No canto bravo do Sono, vou deixando um manifesto
Adeus, adeus curupira, caipora e insetos
Os guardiões naturais não têm armas pro concreto
Mata Atlântica te levanta, deixo meu peito aberto
Pra te guardar na lembrança, pra te contar pros meus netos
No registrar dos meus olhos vou te cantar nos meus versos
Se pudesse eu te dava as asas do pensamento
Quem sabe te guardaria do jeito que eu te penso
Criando os teus nativos, crescendo no teu silêncio
Bem longe desses projetos de pseudo crescimento
Que prometem melhoria e trazem arrependimento
Porque vem os condomínios com o fascínio do dinheiro
E o pescador troca a rede pela colher de pedreiro
Depois só volta na praia, de gari ou faxineiro
A estrada do político não foi feita pro roceiro
Só serve pra o levar no dia de ir limpar o lixo dos forasteiros
E a cultura é esmagada, como se deu tantas vezes
Trocamos trovas da roça por batuques e farofas
Ou silêncio pros burgueses
E assim começa outra história porque é o fim da estrada
Não tem matas, não tem aves, não tem ervas, não tem nada
Tem uma cerca, um portão, um caiçara de farda
E uma placa, atenção: É PROIBIDO A ENTRADA.
 
Luis Perequê Lança Cd Tô Brincando PDF Imprimir E-mail
Seg, 05 de Setembro de 2011 14:06

Música de qualidade para as crianças. Sons e letras que nos remetem à infância e foram inspirados pela simplicidade da cultura caiçara. Este é o eixo de Tô Brincando, terceiro cd de Luis Perequê. O resultado é uma música que cativa adultos e crianças com uma proposta divertida e singela.

 

Poeta, compositor, violeiro e cantador, Luis Perequê nasceu e cresceu em Paraty e teve sua história marcada pela cultura caiçara. Através de seu trabalho contribui para o resgate da cultura local e valorização das raízes brasileiras. Suas músicas foram gravadas por artistas tais como Décio Marques, Juliana Caymmi, Rubinho do Vale, Daniela Lasalvia , Katia Texeira, entre outros.

Tô Brincando é um cd especial dentro de sua carreira. Após “Encanto Caiçara” (1992) e “Eu, Brasileiro” (2006), Perequê nos convida a entrar no universo infantil através de suas canções, que já eram usadas pelos educadores da região como forma de educação ambiental. Esse foi o incentivo para o projeto, com músicas inéditas e faixas como Peixinho, Orelha de Pau e Joaninha, já gravadas por outros artistas.

Uma proposta divertida em que o artista contribui com os educadores da região a desenvolver, através da musicalidade das crianças, uma nova maneira de conhecer sua história e cultura. Com linguagem simples, e bonito encarte, também apresenta as cifras, como um incentivo para aproximar pais, filhos e educadores.

A produção do cd é uma das ações do convênio firmado entre o Instituto Silo Cultural e a Eletronuclear. Será realizado um evento de lançamento, com show ao vivo na Casa de Cultura de Paraty, no dia 29 de abril, às 19h.

 
Rubinho do Vale grava Joaninha

Rubinho do Vale e Cláudia Duarte gravam Joaninha com as crianças do Colégio Dorotéia em Minas Gerais.

Veja o vídeo